Devido as condições climáticas e logística o setor agropecuario sofre perdas e refletem no bolso do consumidor

Porque pagamos tão caro na alimentação?

Juros Elevados e Condições Climáticas geram prejuízos irreparáveis e agricultores perdem propriedades

A falta de pagamento de um empréstimo de R$1.387 fez um agricultor de SC( Santa Catarina) perder o sítio em que vivia e de onde tirava seu sustento. O caso expôs uma sucessão de erros do Judiciário, de um banco e da própria defesa do agricultor. Marcos Winter, 65,  que pegou o empréstimo em 1997 no Banco do Brasil para cultivar feijão, milho, trigo em seu sítio em Matos Costa(394 km de Florianópolis).

O agricultor deveria ter quitado o valor(hoje, atualizado pela inflação, o valor passou de R$1.387 para R$3.528) em 1998, mas não quitou. Segundo ele, a colheita do sítio de área equivalente a 15 campos de futebol foi ruim e que os produtos não tiveram uma boa aceitação no mercado.

Em 2009, após a chácara ser penhorada e vendida, Marcos Winter foi despejado de sua chácara, levanto consigo uma carroça, levando nela o que pôde e se abrigou em um galpão de uma igreja.

Hoje, o agricultor vive com a mulher e três filhos pequenos em uma casa emprestada, vivendo apenas de donativos e diz tentar compreender por que perdeu o seu sítio todo, em vez de apenas uma parte relativa à dívida.(Fonte Folha de SP – edição 23/02/2014)

O drama dos agricultores

Ano após ano os agricultores brasileiros vivem o mesmo drama. Precisam buscar recursos junto aos bancos federais para compra de equipamentos agrícolas, insumos e sementes, porém o resultado da colheita sempre está condicionado as condições climáticas, as quais nos últimos anos tem levado muitos agricultores a falência.

Financiamento agrícola só com garantia ou avalista

Os bancos não dão ponto sem nó, e somente concedem empréstimos aos agricultores se os mesmos derem algum bem(propriedade, equipamento) ou um avalista como garantia, e na falta de pagamento da parcela, automaticamente o banco abre a ação judicial para apoderar-se do bem automaticamente. O drama recente desse agricultor mostra claramente quais são as intenções de um banco ao exigir garantias ou avalistas.

Bancos públicos não fazem seu papel – os bancos públicos estão muito aquém de cumprir o seu real papel social, tanto a Caixa econômica Federal nos financiamentos imobiliários, como também o banco do Brasil nos financiamentos industriais e agrícolas atuam de forma intransigente e famigerada.

Juros Abusivos impedem o crescimento e desenvolvimento da agricultura

A população rural brasileira está diminuindo. Entre 2009 e 2011, houve redução de cerca de um milhão de pessoas no campo e de acordo com a Confederação da Agricultura de Pecuária do Brasil (CNA), sem políticas públicas adequadas e incentivos financeiros para o plantio fica cada vez mais difícil concorrer com os atrativos das grandes corporações. Os juros bancários são sem dúvida um dos fatores que desestimulam a continuidade de muitos agricultores, quebrando um negócio familiar passado de geração para geração. No Brasil somente os bancos tem garantias. O resultado desse estrangulamento agrícola será ao longo do tempo a falta de fornecedores, ocasionando a formação de um cartel, o qual ditará os preços de mercado. O Brasil nunca investiu na agricultura.

Crédito Rural está repleto de irregularidades

As altas taxas de juros praticadas no mercado fazem com que este objetivo de sucesso financeiro fique apenas “no papel”. Ora, se o crédito rural fosse uma medida tão eficaz na solução dos problemas, não teríamos tantos produtores rurais endividados como acontece no nosso país.

Em 2012, pelo menos 95 mil agricultores estavam inscritos em Dívida Ativa da União. O governo, por sua vez, quer que os alimentos cheguem baratos à mesa da população brasileira. É óbvio que este produto (alimentação) precisa ser acessível ao povo, mas o poder público precisa criar mecanismos para que isso ocorra sem prejuízo à renda do produtor, o que na prática não acontece.

Muitos dos financiamentos possuem valores indevidos embutidos no contrato. A comissão de permanência, por exemplo, muito utilizada nos financiamentos urbanos, não pode ser exigida em cédula de crédito rural. O efeito desta comissão é o mesmo de qualquer outra cláusula abusiva nas relações de direito bancário, isto é, uma multiplicação do débito tornando-o impagável.

O produtor rural tem direito à revisão do valor da dívida com base na legislação vigente e não segundo as cobranças abusivas praticadas pelas instituições financeiras. Temos assistido à muitos produtores rurais que vem perdendo seu patrimônio para os sistema bancário através de ação de execução de dívida e leilão extrajudicial de maquinários.

O caminho para a solução desses problemas é fazer uma reclamação onde o produtor rural consegue contestar e afastar as essas cobranças abusivas e compor acordos financeiros que possibilitam o pagamento da dívida dentro de sua atual realidade econômica, sem comprometer o capital de giro de seu negócio e sua subsistência.

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