As Verdades sobre a Entrega Amigável do Veículo

Escritórios de cobrança induzem consumidor a crime 

Mais uma vez consumidores estão sendo vítimas de práticas abusivas dentro do mercado de consumo. Com a crise financeira se alastrando e contaminando grande parte da sociedade brasileira, as dívidas que antes não existiam começam a dar dores de cabeça. E, claro, as dívidas mais complicadas de se renegociar são as bancárias, onde muitos juros abusivos são cobrados.

Entre as maiores dívidas dos brasileiros está o financiamento de veículo. Os bancos além de embutirem tarifas e taxas irregulares nos contratos, ainda fazem propostas indecentes aos consumidores. Os bancos e os seus ¬ induzem os devedores em seu momento de desespero, a fazer a entrega amigável do veículo, com a finalidade de quitar o financiamento.

A principio a proposta parece interessante, principalmente porque as pessoas se imaginam livre da dívida contraída, evitando-se pedidos de busca e apreensão, execução judicial, penhora de bens, restrições do nome perante os órgãos de proteção ao crédito e, o principal, acabar com as ameaças feitas pelos escritórios de cobrança.

O problema surge quando a pessoa vai formalizar a entrega amigável do carro, ou seja, quando vai assinar toda documentação. Como sempre, os bancos se valem de cláusulas obscuras e termos desconhecidos pelos consumidores leigos no assunto. No entanto, essa simples assinatura pode complicar ainda mais a situação.

Quando se faz a entrega amigável do veículo, a financeira exige a assinatura de um Termo de Responsabilidade por Perda do DUT (Documento Único de Transferência), fazendo com que a responsabilidade sobre o bem continue sob a custódia do consumidor, por exemplo, se o veículo for utilizado para a prática de crimes.

O jogo dos bancos é o seguinte: altera-somente o endereço do antigo proprietário do veículo, para que se eventualmente as autoridades e o poder público o procurarem, não o encontrem.Porém, perante o DETRAN e demais órgãos de trânsito, o nome e os dados do antigo proprietário ainda irão constar. Ou seja; o banco fica com o seu carro, porém toda e qualquer responsabilidade fica com o consumidor. Fora isso, o consumidor não é avisado que o carro irá para um pátio, e que será cobrado do consumidor futuramente uma diária de R$ 250,00 em média. Ou seja; se o veículo ficar mais de 45 dias aguardando para ser leiloado irão cobrar R$ 11.250,00 só de pátio, fora o guincho(R$ 1.000,00), honorários advocatícios (R$ 2.000,00), dentre outras falcatruas mais.

Veja esse exemplo: suponha que você possua um financiamento, e que ainda falte pagar R$ 10.000,00, e que o valor de mercado do veículo seja de R$ 25.000,00. No leilão, será vendido por menos da metade do seu preço de tabela: R$ 12.000,00. Por aqui, presume-se que você ainda receberá um crédito de R$ 3.000,00, certo? Errado. A máfia da busca e apreensão não funciona bem assim.

Considerando que seu carro ficou 45 dias no pátio(R$ 11.250,00) + guincho(R$ 1.000,00) + honorários(R$ 2.000,00) podemos acrescer aqui ao montante da sua dívida mais R$14.250,00.Ou seja; você fica sem o carro, fica com o nome negativado e ainda ficará devendo para eles R$ 12.250,00.

Por essas e outras práticas abusivas utilizadas pelos bancos, é importante que, antes de tomar decisões importantes, o consumidor faça uma pesquisa e procure um profissional adequado para orientá-lo quanto aos riscos do negócio que está sendo feito.

A Marcelo Segredo Assessoria vem atuando nessa área a mais de 15 anos, e conta com equipe de advogados e peritos judiciais especializados em contratos bancários. Agende a sua consulta agora mesmo.

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