A assessoria empresarial em São Paulo afirma que aumentou o pedido de falência das empresas em 2014

Minha empresa está devendo muito. O que fazer?

Empresas familiares são as mais afetadas

“O que se observa é que nenhum setor de nossa economia está protegido ou imune à crise mundial. Todos os segmentos foram afetados, exceto o bancário”

Que 2014 seria um ano extremamente complicado para os empresários brasileiros eu não tinha dúvidas, aliás já vinha alardeando isso já no primeiro semestre de 2013, e para isso, basta uma “leitura e análise real” dos dados que são publicados na imprensa diariamente.

Nossa economia já vinha dando sinais de fraqueza durante todo o ano de 2013, e sinceramente, não tinha como ser diferente. Nossa dívida interna hoje é três vezes maior do que foi a dívida externa no passado, porém por questões políticas e eleitorais, a verdade não é passada a público da forma que realmente deveria.

Nessa última semana tive um encontro com um grupo de dez empresários do ramo da confecção em São Paulo, e a principal queixa é que estão vendendo cada vez menos. Passa ano, entra ano e as vendas permanecem em curva descendente.

Para você, querido leitor, ter uma ideia da gravidade da situação, até os empresários não acreditam mais em Papai Noel, afinal essa era a época do ano em que mais de vendia, gerando reservas financeiras para manter a empresa funcionando no primeiro trimestre de cada ano, os quais são sempre complicados. Mas afinal como chegamos a esse ponto de estagnação?

A explicação é simples. Para aquecer a economia de 2008 para cá, o governo viu como saída facilitar o acesso ao crédito, criando o empréstimo consignado, aumentando os prazos nos financiamentos, redução de IPI, enfim, foram uma série de incentivos para que a população fosse as compras. Ocorre que a maioria dessas compras foram feitas mediante a tomada de crédito para pagamento a longos prazos, ou seja; tivemos um crescimento econômico baseado na concessão de crédito e não na real capacidade de compra do Brasileiro. Daí dizer que a classe C aumentou seu poder aquisitivo, sinceramente tenho minhas dúvidas.

Empresários acreditaram nesse crescimento econômico ilusório?

Diante desse cenário de consumo desenfreado dos brasileiros, as empresas buscaram empréstimo e capital de giro para aumentar a linha de produção visando atender a demanda de mercado, mas agora a galinha dos ovos de ouro parou de botar, e as empresas estão pedindo socorro financeiro.

Segundo pesquisa da CNC – Confederação Nacional do Comércio – o nível de inadimplência dos brasileiros atinge 61,2%, ou seja; temos 61,2% da população com as finanças totalmente comprometidas, sem poder de compra.

Mas a Inadimplência vai Reduzir?

A resposta é não. A questão é que os juros no Brasil são elevadíssimos, e o sistema bancário vem sangrando de forma impiedosa os brasileiros endividados mês a mês nos juros cobrados no cheque especial, cartão de crédito, giro parcelado, desconto de duplicatas, enfim, em todos os produtos bancários.

Existem casos de devedores que estão a mais de anos amarrados em limites e refinanciamentos de dívidas que não conseguem sair dessa situação e dificilmente conseguirão sair agora, afinal os juros voltaram a aumentar.

FORD preocupada com a queda das vendas

Entrevista publicada na Folha de São Paulo no dia 08/03/14, foi constatado na Ford (uma das maiores Montadoras Multinacionais de Automóveis)  um potencial de produção muito maior do que é possível  vender. Construir, manter e operar uma fábrica é caro, e elas somente propiciam lucro quando 75% de sua capacidade esta sendo utilizada.

A Ford construiu várias fábricas no Brasil, e agora ela está preocupada , pois as vendas de automóveis estão caindo vertiginosamente, e um dos motivos dessa queda é a perda da capacidade de compra do brasileiro devido a inadimplência.

Se uma montadora desse porte reduz sua capacidade de produção e vendas, afeta de forma direta centenas de funcionários e empresas fornecedoras ligadas a ela, como também todo o comércio ao redor da região, o famoso efeito cascata.

Sorocaba e interior de SP também sentem os reflexos do endividamento

Em entrevista para nossa equipe de reportagem o empresário de Sorocaba Paulo Gerson revela – “Paulo Gerson Aqui em Sorocaba, inaugurou 3 Shoppings, no mesmo ano… 1 já abriu sem movimento, outros 2 está muito fraco, e 1 que já existia, está falindo. Várias lojas no centro de Sorocaba já fecharam as portas e as que ainda persistem sofrem com a queda de vendas. Não sei o que será!!! Tirando leite de pedra.”

A economia brasileira já está fragilizada a muito tempo. Diariamente vemos lojistas baixando suas portas, buscando pontos comerciais mais baratos, demitindo funcionários, reduzindo suas margens de lucros, porém esse tipo de informação não é divulgada pelo governo federal. Os empresários brasileiros estão numa situação financeira complicadíssima, precisando de ajuda urgentemente. As quedas nas vendas não são sazonais como afirmam os especialistas e sim decrescentes ano após ano. O dinheiro está cada vez mais escasso no bolso do consumidor, o qual está cada vez mais endividado.

Bancos estão limpando os cofres das empresas

Cada vez que o empresário recorre ao banco para renegociar dívidas, ao invés de resolver o problema, está se afundando cada vez mais, pois as taxas de juros praticadas de janeiro para cá deram um saldo enorme.  Existem bancos aplicando juros de 12,00% ao mês no cheque especial, e nas renegociações em média 5% ao mês.  Ou seja; se sua empresa já está sem fôlego, ao renegociar estará estrangulando de vez todas as possibilidades de recuperação.

O caminho mais seguro para resolver essa situação é através do judiciário, afinal mesmo com as reduções sequenciais da taxa Selic, os bancos não reduzirão os juros, como também não querem adequar as dívidas com a atual condição financeira do empresário, tanto que a postura dos bancos hoje mudou radicalmente.  Eles não perdem mais tempo negociando, e entram com ações de execução contra as empresas a fim de recuperar o dinheiro emprestado.
Os bancos amarram os contratos de tal forma que passam a ter controle de todo dinheiro que entra nas contas, deixando a empresa sem capital de giro e em muitos casos, até mesmo sem dinheiro para pagar os salários. Mas isso tem solução.

Como resolver esse problema

Existem mecanismos administrativos e jurídicos que podem evitar o pior, bastando ao devedor agir de forma preventiva a invés de ficar esperando por um milagre. Enquanto se negocia a dívida, a empresa continuando operando normalmente no mercado.

Na maioria das dívidas cobradas existem divergências de cálculos e de lançamentos junto ao Banco Central. Essas distorções podem ser revertidas em favor do devedor e com isso pode-se conseguir reduções no saldo devedor em mais de 80%. Basta saber utilizar as ferramentas certas.

 

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