Como reduzir a prestação do seguro. Juros abusivos ilegais. Seguro prestamista

Seguro embutido no financiamento de caminhão é ilegal

“A retirada do seguro do total financiado faz com que as prestações reduzam em média 15%. Caminhoneiros perdem seus veículos sendo que o errado é o banco”

Todos sabemos que tudo o que compramos diariamente, nos chega através do caminhões: de uma bala a um carro, de uma melancia a uma roupa ou um celular. Então, pode parecer que os caminhoneiros devem ser bem tratados, porque é deles que dependemos para termos tudo ao nosso alcance.

Mas, tanto não é assim, que a Associação utiliza seu espaço hoje para sair em sua defesa, na nossa defesa como consumidores.

E nos voltamos mais especificamente ao caminhoneiro autônomo, que vive exclusivamente de vender seus serviços e do seu caminhão e transportar mercadorias.

As transportadoras contratantes, que não os querem como funcionários, os chamam de “agregados”. São contratados por carga e o preço, em geral, são as contratantes que impõem.

Ou seja, essas empresas apenas intermediam os serviços dos caminhoneiros, que arcam com caminhão, sua documentação (IPVA, Licenciamento, Seguro), combustível, manutenção, pedágio, alimentação, hospedagem, saúde; ou seja tudo.

A manutenção dos caminhões é caríssima (pneus, peças, mão de obra)  e, com freqüência, é necessária a manutenção. Além do custo astronômico dos consertos, o caminhoneiro fica parado, sem ganhar nada. Por isso, na maioria dos casos, até mesmo simples reparos já implicam no atraso do pagamento das prestações.

Rezando para não adoecer

Com as transportadoras pagando o que bem entendem, o autônomo vive na corda bamba e tem de rezar para não adoecer.

Então, esse caminhoneiro é sozinho, largado no mundo à sua própria sorte.

Primeiro, já são enganados na compra, quando, além de veículos maquiadosjuros abusivos, ainda engolem a “Taxa de Retorno” (comissão de 1% a 1% que as financeiras dão às lojas para venderem os veículos a prestação), a qual pagam sem saber. Isso, sem contar que têm de bater o pé para receber a NF e o Contrato de Financiamento– documentos vitais para o consumidor proprietário.

Depois, se atrasam uma ou outra prestação, pagam juros sobre juros e “outras despesas” que ninguém lhes explica o que são.

Na maior parte dos casos, o  caminhoneiro paga cerca de 15% a mais do que deveria, por conta de cobrança errada dos Juros de Mora (cobrado nas prestações pagas em atrasos) em até 12% ao mês.

Nos financiamentos de caminhões (cavalo e carreta), os “serviços de terceiros” cobrados são assustadores: os valores são sempre acima de R$ 5.000,00.

Venda Casada

A grande novidade é que, fora isso, obrigam o cidadão a contratar o “seguro prestamista” – que garante o pagamento de três prestações, em média, nos casos de desemprego. Mas, como o caminhoneiro é um profissional autônomo, ele não tem carteira registrada; logo nunca terá como provar uma situação de desemprego, ou seja; jamais conseguirá usar do benefício do seguro.

Temos um cliente caminhoneiro, que teve o motor do caminhão fundido 3 vezes num intervalo de 3 anos e meio.

Em cada uma dessas vezes, ele deixava de pagar as prestações, pois o caminhão ficava parado e ele ficava sem rendimento. Então, tinha que  fazer  renegociação com o banco e, em cada uma delas, incluíram no financiamento um seguro de R$ 2.200,00. Assim, só de seguro embutido no financiamento, há R$ 6.600,00.Ou seja, vendem, na marra, de forma casada (ilegal) um serviço caro que nunca poderá ser usufruído.Ou aceita, ou não tem renegociação.  Retirando o seguro prestamista do total financiado é possível reduzir o valor da prestação em até 15% em média.

De Olho no Caminhão

O autônomo não sabe o quanto paga de encargos embutidos até ilegalmente nas prestações em atraso, o que faz com que o valor de uma única parcela se torne impagável.

Aliás, esse é o objetivo, porque, para esses aproveitadores acobertados pelas financeiras, é mais importante fazer a busca e apreensão do caminhão do que facilitar o pagamento.

Isso, porque o veículo tomado vai a leilão e acaba rendendo muito mais lucro. Quando as prestações pagas, somadas ao obtido em leilão, não cobrem as expectativas da financeira, cobra-se do comprador a diferença. Portanto, o lucro é certo.

Conclusão: sempre que o caminhoneiro paga uma prestação em atraso, está bancando uma conta extorsiva.

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